Dutra, Tarso de Morais, 1914/1983

Área de identificação

tipo de entidade

Pessoa

Forma autorizada do nome

Dutra, Tarso de Morais, 1914/1983

Forma(s) paralela(s) de nome

Forma normalizada do nome de acordo com outras regras

  • Dutra, Tarso de Morais (ABNT)

Outra(s) forma(s) do nome

identificadores para entidades coletivas

Área de descrição

datas de existência

1914-05-15/1983-05-05

história

Filho de Vicente de Paula Dutra e Tarcília Morais Dutra nasceu em Porto Alegre/RS no dia 15/5/1914. Advogado, foi Deputado Federal em vários mandatos; Presidente do Diretório Regional do PSD, no Rio Grande do Sul, 1962. Foi Deputado estadual (1947 a 1950); Senador (1971 a 1978 e 1979 a 1983).
Ministro da Educação e Cultura, 1967-1969; Secretário de Governo, RS; Presidente do Departamento de Serviço Público, RS; Professor, Escola Nacional de Química.

O SEGUNDO HOMEM DA UFSM
O acréscimo de cinco artigos no texto da Lei 3.834-C permitiu que a UFSM fosse criada, em 14 de dezembro de 1960, em solenidade na cidade de Goiânia/GO. O objetivo inicial da lei em questão era criar a Universidade Federal de Goiás, cuja iniciativa partiu do então presidente Juscelino Kubitschek. A inclusão dos artigos que tratavam da UFSM foi iniciativa de um gaúcho dedicado à luta pela interiorização do ensino e pela criação de uma universidade em Santa Maria. Tarso de Moraes Dutra, advogado e político porto-alegrense, pela constante preocupação com a UFSM, tornou-se uma grande personagem na história da instituição.
Ao ver o projeto de lei que tramitava na Câmara dos Deputados, Tarso Dutra, em fins de outubro de 1960, tentou acrescentar uma emenda à Lei 3.834-C, a fim de que também a UFSM fosse criada. O deputado conseguiu acrescentar os artigos referentes a UFSM, mas mesmo assim, manteve-se em silêncio quanto à grande possibilidade que surgia – apenas José Mariano da Rocha Filho foi informado. Inesperadamente, em novembro de 1960, Tarso Dutra chegou à Santa Maria para comunicar as autoridades da Associação Pró Ensino Superior de Santa Maria (ASPES) e das Faculdades locais o êxito na emenda. Um dos presentes nesta reunião era Luiz Gonzaga Isaia, na época diretor da Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas. Ele recorda que a chegada do parlamentar foi uma surpresa, assim como a convocação para a reunião, que aconteceu na Secretaria do Bispado.
Uma das vindas de Tarso Dutra à cidade, datada de julho de 1960, quando a criação da USM ainda era expectativa. Créditos: Departamento de Arquivo Geral da UFSM.
No encontro, Tarso Dutra anunciou a possibilidade existente para a criação da Universidade de Santa Maria (USM), contudo, havia a necessidade de se discutir a viabilidade de reunir as faculdades já instaladas na cidade – a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, a Faculdade de Enfermagem, a Faculdade de Direito e a Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas. A possibilidade encontrada foi a organização da nova universidade em Faculdades Integrantes (Farmácia e Medicina) e Faculdades Agregadas (Filosofia, Direito, Economia e Enfermagem). A espera foi curta, e já em dezembro a solenidade de assinatura da lei foi marcada. Em 18 de dezembro de 1960, enfim, a batalha da ASPES era coroada com um desfecho feliz – a USM estava criada. Após 20 de agosto de 1965, as universidades foram qualificadas, passando a ser chamada Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
José Mariano da Rocha Filho e Tarso Dutra foram dois grandes nomes na criação e instalação da UFSM. Créditos: Departamento de Arquivo Geral da UFSM.
A presença de Tarso Dutra, todavia, não ficou restrita a este momento. Sua relação com a cidade e com as aspirações locais começaram já na juventude. A família de Tarso Dutra era de Júlio de Castilhos, e ele veio para a cidade estudar. Como lembra o professor Isaia, Tarso Dutra completava o ginásio no Colégio Santa Maria e era colega de Hélios Bernardi, que seria professor do curso de Farmácia e assumiria, em 1973, a Reitoria da UFSM. Mariano da Rocha era mais moço que os dois, cursando séries anteriores. Mesmo assim, o convívio no ambiente escolar gerou proximidade entre Mariano e o parlamentar. Após completarem os anos escolares, ambos foram para a capital estudar. Mariano fez Medicina, enquanto Tarso Dutra optou pelo Direito.
Ao retornar para Santa Maria, em 1938, Mariano da Rocha Filho assume a disciplina de Microbiologia na Faculdade de Farmácia de Santa Maria, e em 1945, é eleito presidente da instituição. Para tentar contornar as dificuldades financeiras que a faculdade enfrentava, Mariano inicia a campanha para incorporar a instituição à Universidade de Porto Alegre (UPA). Nas tratativas pela interiorização, Mariano reencontra o amigo de juventude na Assembléia Legislativa – em 1947, Tarso Dutra era Deputado Estadual pelo Partido Social Democrático (PSD). “Mariano encontrou Tarso na Assembléia, e ele ajudou na incorporação da Faculdade de Farmácia de Santa Maria à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)”, lembra Isaia, que é autor do livro UFSM Memórias.
Tarso Dutra envolveu-se na incorporação à UFRGS da Faculdade de Farmácia, com o apoio desprendido para as ações da ASPES e também com os esforços para a aprovação das Faculdades de Medicina e de Ciências Políticas e Econômicas. A busca por verbas para a UFSM também contava com o apoio do parlamentar, lembrado por Isaia como o “vigilante Tarso”, sempre alerta para as questões locais. Através do parlamentar, por exemplo, a UFSM recebeu verbas para a construção do Centro Politécnico, hoje Centro de Tecnologia. Em agosto de 1959, Tarso Dutra trouxe a primeira de cinco parcelas de um total de 50 milhões de cruzeiros, sendo as demais partes recebidas anualmente. A entrega do cheque para Mariano da Rocha aconteceu na área que seria doada pelas famílias Tonetto e Behr para a construção do campus, que somavam 40 hectares no bairro Camobi.
O então deputado Federal se faz presente no acompanhamento das obras do Instituto Eletrotécnico, primeiro prédio do Centro Politécnico.
A amizade entre Mariano e Tarso Dutra foi importante para a UFSM. “Tarso Dutra era o braço político do professor Mariano”, destaca José Mariano da Rocha Neto, angiologista e filho de Mariano. Mariano da Rocha Neto conheceu o parlamentar em 1962, quando ainda era estudante de Medicina, e lembra que Tarso Dutra era um deputado atuante, especialmente no campo da educação. “A amizade com meu pai era antiga, especialmente porque eles compartilhavam o desejo de interiorizar o Ensino Superior”, lembra ele, que destaca também o apoio sem precedentes de Tarso Dutra para Santa Maria. Mariano da Rocha Neto lembra que quando assumiu a direção do Hospital Universitário, em 1969, Tarso Dutra auxiliou na organização. O parlamentar intervinha na obtenção de materiais e equipamentos, que vinham especialmente da Europa, para a instalação do hospital. A medicina sempre ganhou atenção de Tarso Dutra, já que ele completou cinco anos do curso antes de decidir-se pelo Direito.
“Tarso Dutra era uma pessoa dedicada a Santa Maria, e que auxiliou em outras áreas, não somente no Ensino Superior”, lembra Isaia. A atenção e o zelo para os assuntos da cidade Santa Maria, em especial para a UFSM, garantiram a Tarso Dutra um lugar especial na história da Universidade. Assim que a UFSM foi criada, através da aprovação da Lei 3.834-C, uma série de festejos animou Santa Maria, dentre eles uma homenagem a Tarso Dutra. Souto Maior, deputado federal pelo estado de Pernambuco, destacou em sua fala a atuação ativa do parlamentar para a criação da UFSM.
Durante a formatura da primeira turma de médicos da Faculdade de Medicina de Santa Maria, em janeiro de 1960, novamente Tarso Dutra foi lembrado por Mariano da Rocha Filho, seu amigo de longa data. Em um grande e emocionado discurso, o futuro Reitor da UFSM lembrou-se de várias ações encabeçadas por Tarso Dutra – além do papel fundamental na integralização e na criação de faculdades locais, o parlamentar favoreceu obras como a do Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo e o Hospital de Tisiologia (atual Prédio de Apoio da UFSM). Por isso, nas palavras de Mariano da Rocha Filho, Santa Maria tornou-se a “Princesa Universitária” da época. Palmas prolongadas acompanhavam o discurso de Mariano, que foi seguido por uma fala agradecida de Tarso Dutra. Nela, ele se comprometia a sempre estar disponível para auxiliar Santa Maria, finalizando sua fala com uma promessa à terra que o acolheu: “contarás sempre comigo em tua jornada”.
O Ginásio Didático do Centro de Educação Física e Desportos, cujas obras iniciaram no final da década de 1960, é uma homenagem ao parlamentar. Mariano da Rocha Filho propôs ao Conselho Universitário a denominação “Estádio de Esportes Tarso Dutra”, aprovada sem ressalvas. Na edificação, assim como em placas e diversas homenagens posteriores, registrou-se a presença e dedicação de Tarso Dutra para a construção da UFSM. Independente de questões partidárias e políticas, havia uma comunhão de ideias – o objetivo era construir uma instituição de ensino superior na cidade. O dinamismo de Mariano da Rocha Filho fez com que ele reunisse pessoas engajadas na busca pela criação de uma universidade em Santa Maria. “Tarso Dutra foi o segundo homem dessa lista”, finaliza Isaia, que, não por acaso, fez parte também desse seleto grupo.
Faleceu em 05 de maio de 1983.

Locais

status legal

funções, ocupações e atividades

Mandatos/Fontes de autoridade

Estruturas internas/genealogia

contexto geral

Área de relacionamento

Área de controle

Identificador do registo de autoridade

Identificador da instituição

Regras ou convenções utilizadas

ISO 8601

Estatuto

Nível de detalhe

Datas de criação, revisão ou eliminação

Línguas e escritas

Script(s)

Fontes

<b>Fontes consultadas:</b>
UFSM. Infocampus. O Segundo Homem da UFSM. Disponível em: <http://w3.ufsm.br/infocampus/?p=955>. Acesso em 28 jun. 2011.

BRASIL. Câmara dos Deputados. Deputados. Disponível em: <http://www2.camara.gov.br/deputados/pesquisa/layouts_deputados_biografia?pk=122590>. Acesso em: 28 jun. 2011.
SENADO FEDERAL. Portal dos Senadores. Senadores. Disponível em: < http://www.senado.gov.br/senadores/senadores_biografia.asp?codparl=2246&li=44&lcab=1971-1974&lf=44>. Acesso em: 03 nov. 2011.

Notas de manutenção

<b>Pesquisa realizada por:</b>
Neiva Pavezi em 28/06/2011 e Fabiana Fagundes Fontana em 03/11/2011.